KADU

Nasci na cidade de Itapetininga, interior de São Paulo, onde morei até os 17 anos quando em conjunto com minha família decidimos que eu precisava buscar uma grande cidade para ter um melhor estudo focado para o vestibular. Nesse caso, já tinha decidido, o curso de Medicina Veterinária. E porque Medicina Veterinária? Paixão pelos cavalos, mesmo sem nossa família nunca ter sido criadora desses animais, eu estava sempre procurando estar no meio deles.

No primeiro ano em Curitiba e cursando o terceiro ano do ensino médio, tudo muito diferente, muita novidade, porém muito estudo focado no vestibular. No final desse primeiro ano, as primeiras inscrições, e me inscrevi apenas para Universidades federais e/ou estaduais. Claro, não queria dar a meus pais as grandes despesas de uma Universidade particular. Porém, no primeiro ano, o sucesso no vestibular não veio, mas sim um segundo ano de cursinho focado novamente no vestibular. Mais uma vez, o final do ano chegou e com ele novas inscrições. Insisti em Universidades federais e estaduais, porém recebi um apoio de meus pais para prestar para pelo menos uma Universidade particular. Nesse caso, guardei meu orgulho e me inscrevi também para o vestibular da PUCPR.

Quando saíram os resultados, fiquei em listas de espera de Universidades federais e estaduais, porém não fui chamado, e na PUCPR passei em 31º lugar, o que me trouxe no primeiro momento uma grande alegria, mas na sequência uma preocupação por pensar que seriam 5 anos de muitas despesas. Nesse momento, novamente com incondicional apoio de meus pais, decidimos que a PUCPR seria a “minha casa” pelos próximos cinco anos, mesmo que financeiramente segurando todas as barras. E aqui talvez, o grande divisor de águas de minha vida, cursar Medicina Veterinária na PUCPR. Posso afirmar que ter passado no vestibular da PUCPR, e não em outra instituição federal ou estadual, como era antigamente um “sonho”, me fez o profissional que sou, pois recebi ao longo dos 5 anos de graduação todo o apoio dos professores e principalmente a estrutura necessária para o meu aperfeiçoamento.

Em 2001 iniciei minha trajetória acadêmica dentro da PUCPR, e sabendo das despesas de uma Universidade particular, vi que eu teria que aproveitar cada minuto ali dentro para me tornar um profissional competente na Medicina Veterinária. Foi um primeiro ano fantástico, pois pude ver que toda aquela estrutura e professores incríveis poderiam me ajudar e muito a traçar um belo caminho.

Em um belo dia, quase ao final desse primeiro ano, ao ler minha revista favorita sobre cavalos, chamada Horse, e que por sinal atualmente faço parte do time de colunistas, descobri que na minha cidade natal havia um importante centro de reprodução de equinos. Isso me chamou muito a atenção, pois poderia ser um local para um futuro estágio, ainda sendo na cidade de meus pais para onde eu iria nas férias de final de ano.

E assim foi: em dezembro de 2001, fui até esse centro de reprodução, chamado Genetic Jump, localizado na cidade de Itapetininga, e solicitei um estágio. Sem saber, meus futuros padrinhos de casamento, de profissão e de vida, os médicos veterinários Mario e Marilia Duarte, ao ver aquele calouro universitário de imediato negaram o estágio pois o que eu poderia fazer ali com um conhecimento básico… Mesmo assim, resolvi insistir, justificando que eu era da cidade e que eu estava disposto a ajudar no que fosse preciso. E assim, eles me aceitaram e ali iniciava uma longa história de trabalho, amizade e muito aprendizado.

Nos anos seguintes, minhas “férias” de final de ano eram ali dentro, onde comecei puxando cavalos, limpando cocheiras, ajudando funcionários no manejo do haras, mas ao mesmo tempo eu sabia que estava com profissionais que eram referências no Brasil na área da reprodução de cavalos. Sempre que voltava para Universidade, tentava trazer todo conhecimento adquirido nas “férias” para praticar dentro da PUCPR e para isso tive total apoio do professor de reprodução animal da Universidade chamado Marcio Segui, o qual me incentivou nessa área, além de passar todo seu conhecimento profissional e de vida através dos grupos de estudos em reprodução animal. Hoje, além do orgulho de estar ao seu lado como docente na PUCPR, é uma das pessoas mais importantes em minha vida por tudo que fez por mim como profissional e pessoa.

Durante o percurso dentro da PUCPR, sempre correndo atrás de oportunidades, por indicação dos coordenadores na época, professor Rodrigo Mira e professora Claudia Pimpão, fui indicado para o curso de Liderança da Universidade, para o qual apenas 2 alunos de cada curso eram escolhidos. Foi um ano de muito aprendizado, não técnico, e sim cultural, técnicas de oratória, palestras com o reitor, entre outras pessoas importantes. Isso me fez crescer muito como pessoa. Também, durante minha trajetória, participei do centro acadêmico e comissão de formatura. E assim foram todos os anos da Universidade, até que chegou o último e temido ano. Dúvidas, preocupações com o futuro, porém o que eu poderia fazer era continuar correr atrás do meu futuro. Consegui meu estagio curricular obrigatório na UNESP – Botucatu, uma das melhores Universidades do Brasil e do mundo na minha área de opção, a reprodução de equinos. Ali fiquei por um mês, e no outro mês voltei para ficar na Central Genetic Jump, onde já tinha uma maior confiança dos médicos veterinários. E enfim, passado o temido TCC no final de 2005, chegou o grande dia da formatura, no mês de janeiro de 2006. Momento único e de muita emoção. Mas com a formatura, veio o medo do que viria pela frente. Novamente com apoio de meus pais, decidi que gostaria de continuar estudando e assim prestei prova para residência medica veterinária. Primeiro para o departamento da UNESP – Botucatu, onde de 17 inscritos, fiquei em 5º lugar, porém eram apenas 4 vagas. Mesmo assim não desisti, prestei a prova de residência da PUCPR, e de 10 inscritos fiquei em 2º lugar, mas era apenas uma vaga.

Com esses resultados, cheguei à conclusão que não queria mais a tal residência, e uma semana após esses resultados, ainda no inicio de 2006, os médicos veterinários Mario e Marilia da Genetic Jump, onde estagiei durante os 5 anos do curso, me convidaram para embarcar com eles para os Estados Unidos para trabalhar com reprodução de equinos em um haras americano. E assim passei 6 meses na maior e melhor experiência profissional de minha vida, conquistada após 5 anos de muita dedicação na Universidade e nos estágios junto a central em Itapetininga.

Retornando ao Brasil, mais uma vez o medo do desemprego apareceu, mas não a vontade de trabalhar, e em conversas com o professor Marcio Segui comecei a auxiliar como médico veterinário convidado nos grupos de estudo em reprodução animal da Universidade para trazer a experiência conquistada nos Estados Unidos. E foi nesse momento que criamos o Grupo de Estudos em Reprodução em Equinos PUCPR e assim dividindo um pouco da nossa experiência com os acadêmicos da época.

Nesse momento, participando e auxiliando nos grupos de estudo como convidado, descobri em mim o lado professor, pois percebi que me fazia muito bem compartilhar aquilo que eu havia aprendido com os alunos. E por essa razão, no início de 2007 ingressei no mestrado da UFPR estudando mais a fundo a reprodução de equinos. Nesse ano, por indicação de um também professor e hoje amigo, Pedro Michelotto, comecei a prestar serviço em um importante haras de Curitiba, o primeiro da minha carreira. Em seguida outros foram aparecendo, até que em 2008 resolvi abrir o meu próprio negócio, a EmbryoHorse, que atua até hoje prestando serviços de reprodução equina em Curitiba e Região. Também nesse ano, a convite novamente de Mario e Marilia, fui a trabalho por 3 meses ao México em um haras ampliando um pouco mais minha experiência internacional e profissional dentro da reprodução de equinos.

Retornando ao Brasil, no final de 2008, defendi minha dissertação de mestrado e assim conquistei o título de mestre, além de continuar atuando no mercado com minha empresa EmbryoHorse. Em 2009, recebi um e-mail da coordenação do curso de Medicina Veterinária divulgando uma vaga para professor, onde me inscrevi no concurso e fui aprovado para voltar para a “casa” que em 2001 me acolheu como acadêmico e nesse momento me acolhia como docente da Instituição. Hoje além de professor das disciplinas de Forragicultura, Zootecnia, Fisiologia, Clínica de Grandes Animais, entre outras, sou responsável pelo Grupo de Estudos em Reprodução Equina, do qual fui aluno e participei de sua criação. Tenho muito orgulho em hoje poder mostrar aos meus alunos que há alguns anos eu estava ali no lugar deles, e que com muita dedicação e trabalho ao longo desses anos, além de médico veterinário a campo realizando técnicas avançadas de reprodução assistida em equinos como inseminação artificial e transferência de embriões, hoje também sou professor e posso passar adiante todo conhecimento que um dia muitos me passaram. Nesses últimos anos, tive a oportunidade de viajar por quase todo o Brasil ministrando cursos, palestras e principalmente aula para algumas pós graduações, e nessas viagens pude observar que poucas são as Universidades que podem oferecer a estrutura e condição de aprendizado que podemos dar aos nossos estudantes. Atualmente sou doutorando do programa de Pós Graduação em Medicina Animal: Equinos na UFRGS. Até 2016 pretendo defender a minha tese para continuar fazer história dentro dessa Universidade a qual vivencio desde 2001, ou seja, há 15 anos.

Na foto acima estou em companhia da Pioneira, égua que representa muito para mim e para a PUCPR. Ela nasceu em 15 de setembro de 2008, e foi o primeiro produto de transferência de embriões nascida na fazenda da PUCPR. A primeira que realizei em minha carreira… De 2001 a 2007 passei acompanhando e aprendendo com outros profissionais até que nessa data chegou a minha vez. Esse procedimento ocorreu em 2007 e a gestação durou 11 meses. Hoje, após 7 anos, ela é uma das nossas principais doadoras de embriões e mãe de alguns potros do nosso plantel.

HISTÓRIAS DE VIDA
Author: pollyanna

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